Publicado em: 21/07/2010
Por: Antônio Tigre
O medo de ficar só faz o ser humano cometer
insanidades. Mesmo que tenha nascido sozinho e irá morrer só. Construímos
castelos sólidos, que certamente um dia desmoronaram. Era uma vez um
sábio que não sabia expressar sua verdade. Era reprimido por seu próprio
ego. A sinceridade da alma dói nas entranhas, principalmente quando ainda
estamos entalados em nossas próprias mentiras. Enraizados em formas primitivas
de comportamento que nos aprisionam cada vez mais profundamente neste mundo de
ilusão. Satisfazer aos caprichos do ego é tarefa impossível.
Como um passarinho na gaiola, um hamster em sua roda ou um peixe no seu oceano
de vidro, estamos presos nas sensações do passado ou do futuro. Vivemos num
aquário de ilusões, enquanto no espaço ao lado, na pet shop da vida, o peixe se
apaixona pelo porquinho da índia, porém não podem se amar devido à ilusão de
que são diferentes do todo, diferentes de Shiva, o dançarino cósmico.
Então em um ato impensado, o peixe faz uma sequência de piruetas circenses
e pula do aquário em busca de seu amor platônico. Quando cai no amontoado
de feno, percebe que seu companheiro indiano está no outro extremo em estado
meditativo. Quando percebe a presença de seu amado fica trêmulo e o ar lhe
falta. Sufocado pelo seu amor não correspondido, nosso herói cai em um pranto
estridente que desperta o porquinho estrangeiro de suas contemplações ocultas.
Percebendo a presença estranha deste ser divino, ele se levanta trazendo com
sigo sua bola de pelos. Sente o cheiro doce do peixe de rio. Arregala os olhos
embriagados pelo reluzir de suas escamas douradas. O ser aquático já quase não
consegue respirar de tanta emoção, sufoca-se com as próprias palavras que
entalam em suas guelras. Então, por um instante, estão cara a cara, focinho e
nariz colados , todos os focos do Universo se voltam para o momento presente da
sinceridade do amor. Todas as sementes germinam, o pôr-do sol-brilha, as flores
desabrocham. Porém, no segundo seguinte, o instante passou. O peixe
é cruelmente devorado em 3 etapas: cabeça, espinha dorsal e rabo. Mais um
prejuízo para o comerciante de animais, fruto da ilusão do amor não
correspondido.
Repetimos vida após vida os mesmos atos kármicos e vivemos intensamente a
ilusão dos desejos. O mundo dos sentidos gera instantes de felicidade extrema e
horas de agonia passiva ao invés de estarmos constantemente imersos no
êxtase interior. Quando a fumaça da ilusão se dissipa, através das práticas
espirituais, podemos ver a luz divina que realmente habita as partículas do
universo.
O divino amor habita cada partícula do Universo
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