domingo, 1 de maio de 2016

O amor kármico


Publicado em: 21/07/2010
Por: Antônio Tigre
O medo de ficar só faz o ser humano cometer insanidades. Mesmo que tenha nascido sozinho  e irá morrer só. Construímos castelos sólidos, que certamente  um dia desmoronaram. Era uma vez um sábio que não sabia expressar sua verdade. Era reprimido por seu próprio ego.  A sinceridade da alma dói nas entranhas, principalmente quando ainda estamos entalados em nossas próprias mentiras. Enraizados em formas primitivas de comportamento que nos aprisionam cada vez mais profundamente neste mundo de ilusão. Satisfazer aos caprichos do ego é tarefa impossível.   

Como um passarinho na gaiola, um hamster em sua roda ou um peixe no seu oceano de vidro, estamos presos nas sensações do passado ou do futuro. Vivemos num aquário de ilusões, enquanto no espaço ao lado, na pet shop da vida, o peixe se apaixona pelo porquinho da índia, porém não podem se amar devido à ilusão de que são diferentes do todo, diferentes de Shiva, o dançarino cósmico.

Então em um ato impensado, o peixe faz uma sequência de piruetas circenses e  pula do aquário em busca de seu amor platônico. Quando cai no amontoado de feno, percebe que seu companheiro indiano está no outro extremo em estado meditativo. Quando percebe a presença de seu amado fica trêmulo e o ar lhe falta. Sufocado pelo seu amor não correspondido, nosso herói cai em um pranto estridente que desperta o porquinho estrangeiro de suas contemplações ocultas.

Percebendo a presença estranha deste ser divino, ele se levanta trazendo com sigo sua bola de pelos. Sente o cheiro doce do peixe de rio. Arregala os olhos embriagados pelo reluzir de suas escamas douradas. O ser aquático já quase não consegue respirar de tanta emoção, sufoca-se com as próprias  palavras que entalam em suas guelras. Então, por um instante, estão cara a cara, focinho e nariz colados , todos os focos do Universo se voltam para o momento presente da sinceridade do amor. Todas as sementes germinam, o pôr-do sol-brilha, as flores desabrocham.  Porém,  no segundo seguinte, o instante passou. O peixe é cruelmente devorado em 3 etapas: cabeça, espinha dorsal e rabo. Mais um prejuízo para o comerciante de animais, fruto da ilusão do amor não correspondido.

Repetimos vida após vida os mesmos atos kármicos e vivemos intensamente a ilusão dos desejos. O mundo dos sentidos gera instantes de felicidade extrema e horas de agonia passiva  ao invés de estarmos constantemente imersos no êxtase interior. Quando a fumaça da ilusão se dissipa, através das práticas espirituais, podemos ver a luz divina que realmente habita as partículas do universo.

O divino amor habita cada partícula do Universo


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